sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Sou um "bandoleiro" (de: J.A.Afonso)

Sou um "bandoleiro",
sou um guerrilheiro
"escondido na mata",
que ferido de guerra,
se oculta na serra
"sob uma cubata"!...
- Que há gente que sei,
que tem como lei,
"a lei da chibata"!

Sou um "bandoleiro",
sou ágil, certeiro,
na minha cilada...
Sou um "pistoleiro",
de rosto sisudo,
«à espera de tudo,
à espera de nada»!...
- Que há gente "sangrenta",
que só nos enfrenta,
"ao tiro, à rajada"!

Sou um "bandoleiro",
que espreita, que espia,
na tarde sombria,
por uma "emboscada",
que da noite fria
ao nascer do dia
é sempre aguardada!...
- Que há gente ímpia,
que nos "sorripia",
a voz que é sagrada!...

Sou um guerrilheiro,
num desfiladeiro,
no "ardil da manha",
que a minha trincheira,
é esta ribeira,
bem junto à montanha!...
- Que há gente "mordaz",
que há gente capaz
"de tanta façanha"...

Sou um "bandoleiro",
sou um "cavaleiro"
sem "eira-nem-beira",
que ama a liberdade,
que ela um dia há-de
«ser uma bandeira»!...
- Que há gente que a "queima"...
Que há gente que teima
«lançá-la à fogueira»!


(J.A.Afonso)

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