sexta-feira, 8 de novembro de 2013



Gente esquecida (De:J.A.Afonso)

Aquele puto...
Ficou-me no "olhar"
por todo o dia,
numa triste sensação
de raiva e injustiça,
de impotência, de agonia
e de revolta...
«Que apenas a pena
não serve p'ra nada,
porque o dó, por si só,
é "tirania"»!...
- Não mudam as coisas,
não chegam, não bastam,
"p'ra dar a tal volta"!!!

Aquele puto...
De olhos magoados
que me "machucaram"...
Que nunca chorou...
Nem nunca sorriu!...
Prostrado naquele chão,
nesse que tantos "pisaram"
e onde alguém já cuspiu!...
- Que não pediu p'ra nascer
e se é que "chegou à vida",
chegou ao "anoitecer"!...
Aquele puto...
Esse que sei! Que nós Sabemos!
Esse que todos nós vemos!...
«Só quem governa não viu»!...

- E o puto do chão,
que nos estende a mão,
pedindo comida...
Que nos "rasga" a alma,
fere o coração
que sangra, faz ferida?...
- E o puto do chão???
E a "gente esquecida"???
- Que "Pátria madrasta"!...
Que puta de vida!!!

(J.A.Afonso)



terça-feira, 8 de outubro de 2013

Ao passado (De: J.A.Afonso)


               É verdade!
Verdade sim!...
Que todos os dias
me cruzo contigo
nas “esquinas da vida”,
que te olho de frente,
com frontalidade...
Que seria “tão feio”
olhar-te de lado”,
seria tão triste
não sentir saudade!...

Verdade sim!
Que todos os dias
te penso, te revejo,
te medito...
Que te tenho no peito
como um sonho bonito!
              E o único mistério
              é esta dúvida “sem fim”,
de nunca saber ao certo,
se sou eu quem te “busca”
ou se me “buscas” a mim!...

(J.A.Afonso)

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Cumplicidade (J.A.Afonso)


Finalmente...
Quase ao fim do dia...
É no doce dos teus lábios
que pouso o amargo dos meus,
cansado das coisas da vida!...
- Quando nos “bate” à janela,
discreta, “cor de canela”,
a lua que é “atrevida”...


Que chega “discretamente”
e que vem só p'ra “espreitar”,
«o abraço em que te “estreito”,
o quanto temos p'ra amar»!...
- Que tu e ela “combinam”...
Que tu e ela “segredam”...
«Que tu e ela me “passam”
os sonhos que hei-de sonhar»!!!


(J.A.Afonso)




sábado, 23 de fevereiro de 2013

Um Puto (de: J.A.Afonso)



Os sonhos de Abril,
os sonhos de Abril,

nos olhos dum puto!...



- O que é que ruíu...
Quem os destruiu,

quem lhes «deu um chuto»???



- Era a Primavera,
no tempo em que era

possível sonhar!...



Era um tempo novo,
«o tempo de um povo,

cansado de esperar».



- Um cravo vermelho,
servia de espelho,

ao puto risonho!...



...E o puto cresceu,
mas "deu no que deu":

- Um homem tristonho!...



Que o cravo morreu...
Esmagaram o cravo...

- Mataram-lhe o sonho!



(J.A.Afonso)

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Ausência do tempo (de: J.A.Afonso)

Num longo e terno abraço,
estreitei teu corpo esguio,
"esmagando-te no peito",
como se fosse um reencontro
ou uma despedida...
Esqueci-me do presente,
penetrei no vazio,
na "ausência do tempo"
e deixei-me lá ficar...
Como se fosse, quem sabe,
o último momento da vida.

Sorriste-me entre-lágrimas
de verdadeira dor,
beijáste-me de lábios salgados,
de pranto e de amor.
Desse amor que te sei...
Desse amor que te dei...
Desse amor que existe
não importa como,
que persiste não importa porquê!...

Na ausência do tempo...
Aos poucos o teu sofrimento serenou,
disseste palavras bonitas, palavras de fé!...
E eu ?...
- A única coisa que queria dizer-te...
É que vou estar sempre aqui!
Sempre...Aqui ao pé!...
 (J.A.Afonso)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Sou um "bandoleiro" (de: J.A.Afonso)

Sou um "bandoleiro",
sou um guerrilheiro
"escondido na mata",
que ferido de guerra,
se oculta na serra
"sob uma cubata"!...
- Que há gente que sei,
que tem como lei,
"a lei da chibata"!

Sou um "bandoleiro",
sou ágil, certeiro,
na minha cilada...
Sou um "pistoleiro",
de rosto sisudo,
«à espera de tudo,
à espera de nada»!...
- Que há gente "sangrenta",
que só nos enfrenta,
"ao tiro, à rajada"!

Sou um "bandoleiro",
que espreita, que espia,
na tarde sombria,
por uma "emboscada",
que da noite fria
ao nascer do dia
é sempre aguardada!...
- Que há gente ímpia,
que nos "sorripia",
a voz que é sagrada!...

Sou um guerrilheiro,
num desfiladeiro,
no "ardil da manha",
que a minha trincheira,
é esta ribeira,
bem junto à montanha!...
- Que há gente "mordaz",
que há gente capaz
"de tanta façanha"...

Sou um "bandoleiro",
sou um "cavaleiro"
sem "eira-nem-beira",
que ama a liberdade,
que ela um dia há-de
«ser uma bandeira»!...
- Que há gente que a "queima"...
Que há gente que teima
«lançá-la à fogueira»!


(J.A.Afonso)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Escrever é tudo isso (De: J.A.Afonso)

Escrever por vezes é fácil, basta pegar nas palavras e construir frases com nexo, bonitas e agradáveis, por vezes abonatórias e até bajulantes. Escrever para aparecer, para dizer bem e "ficar bem", também é fácil, eficaz e se calhar funciona...Mas escrever, qualquer que seja o tipo ou "forma de escrita", não pode ser apenas um dom, ou uma arte.
- O "acto de escrever" tem de ser mais, tem de ser o utilizar da nossa capacidade de redigir, para "marcar" uma mensagem, para quem sabe "prestar um serviço" ao próximo, à humanidade e ao mundo.
Escrever é um "acto de intervenção", de amor ou desamor, de revolta ou de aplauso, de concórdia ou contestação...Porque escrever é reagir, não divagar! É quase uma "obrigação social" de quem pesquisa, analisa, antevê!...Muitas vezes de quem "denuncia" expondo o peito às "balas", sujeitando-se ás consequências.
- Um Escritor (Poeta ou não), é um "árbitro" isento e rigoroso, no extraordinário desafio que é a vida: «Se algo estiver mal, meus Srs "cartão vermelho"»!
- Um Escritor (Poeta ou não) é um "barómetro da temperatura social", é o "porta voz" das verdades que tem para dizer, é o "alarme" dos mais incautos, dos mais distraídos!...
Um Escritor (Poeta ou não), é um "guia", um combatente da verdade e da justiça, logo também, um dedo apontado à mentira, à demagogia, à tirania. Mas é sobretudo, um "homem atento", um "cidadão alerta"!...
- É aqui que escrever passa a ser difícil, porque quem escreve assume obviamente o que diz. Quem escreve fá-lo em nome de alguém, fá-lo para alguém, fá-lo por alguém ou por alguma coisa: É o "líder" de uma ideia, o "testa de ferro" de um ideal!...
Como alguém disse um dia «escrever é lutar»! E é cada vez mais uma luta perigosa, que pode envolver sérias consequências...Mas cada vez mais inevitável, cada vez mais necessária!
- Um Escritor (Poeta ou não), não é um "bajulador", não pode ser um "yes man" de ninguém, não pode narrar o "bom", ocultando o mau.
- Um Escritor (Poeta ou não), tanto pode ser o "herói" duma revolução, como um "preso político", ou simplesmente um homem normal, com todas as virtudes e defeitos que lhe são inerentes. Apenas isso!
- Tem é de ter sentimentos, sonhos, ideais, convicções e acima de tudo «METAS»!!!
Tem é de «não ter medo»...Que o medo é próprio dos fracos e desses não reza a História!
- Um Escritor (Poeta ou não), tem de ter a "consciência de ser livre", tem de ter o "compromisso" da justiça! Não sei se sou Escritor, não sei se sou poeta...Resta-me apenas saber que sou e serei sempre «um homem de liberdade»!



José A. Afonso

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A Rosa (de: J.A.Afonso)

À noite faz “banga”,
vai pela Maianga,
vai linda e sózinha...
Em “busca das chetas”,
que o resto são tretas,
lá vai a Rosinha.
- Vai de botas pretas,
lá «vai à vidinha»!...

Assim maquilhada,
parece engraçada,
parece mais bela.
De “cara pintada”,
de “franja arranjada”,
«madeixas-canela».
Sobre o peito erguido,
um colar comprido
de cor amarela...
- Que mulher bonita,
ninguém acredita
que vem da “favela”!...

De saia travada,
blusa apertada,
de cinto e fivela.
Pela madrugada,
à beira da estrada,
lá vai, lá vai ela...
- Que a vida é tramada,
que “ganha à noitada”
no «Bar Cinderela»!

Que pela calada,
a Rosa é falada,
janela a janela!...
- Há gente “danada”
de língua afiada
que causa mazela.
Que «atira a pedrada»,
que "não sabe nada",
que só “tem balela”!...

- Que a filha «entrevada»...
A Rosa coitada...
É quem cuida dela!!!

(J.A.Afonso)
Tem de nevar (de: J.A.Afonso)


Cai neve pela cidade,
num manto branco que invade
tudo em redor de um olhar.

Cai neve pela cidade,
que a neve é como a saudade,
que cai sem nos avisar.

Que a neve pinta estas ruas,
que são minhas e são tuas
e de quem mais lá passar...

- Pode nevar à vontade,
que a neve é como a verdade,
«faz um frio de rachar».

Cai neve pela cidade!...
- «Faz lembrar a liberdade,
que é linda, que faz sonhar»!

Que a neve, lava a tristeza!...
«Que as forças da natureza,
ninguém as pode parar»!

- Pode nevar à vontade,
que muda a cor à cidade,
que bem precisa mudar!...

- Cá por mim pode nevar!
Cá por mim…Tem de nevar!!!

        (J.A.Afonso)
Precocidade (de: J.A.Afonso)


Um homem surge no mundo,
com “ambição” de viver,
mas nele caminha errante,
num "galopar" incessante,
sobre essa "coisa mutante"
que um homem tenta vencer...

- Nele nasce e aparece,
nele cresce e envelhece,
nele "seca e apodrece",
por lá se "deixa perder"...
Nele ama, nele "engrandece",
nele “aquece e arrefece"
e muitas vezes se esquece
«que há um tempo de viver»!...

- Por isso é que há os que vivem,
«dispostos a combater»!...
Por isso é que há os que morrem...
Muito antes de MORRER!!!

            (J.A.Afonso)

domingo, 20 de janeiro de 2013




Murmura um poema (de: J.A.Afonso)

Quando eu morrer,
podes sofrer,
mas fá-lo serena...
 
Porque existir,
amar, sentir,
valeu a pena!
Confronta a dor,
com o nosso amor
tão belo e sério,
que para ele,
não há lugar
no cemitério.
Confronta a tristeza
com toda a beleza
da nossa vivência...
Se sem mistério,
a morte é somente
o “ponto poente”
da nossa existência!
- Vá lá meu amor,
faz-me esse favor,
«vá lá, tem paciência»!...

Murmura baixinho,
com fé e carinho,
aquele poema,
que um dia escrevi...
Que tu sabes bem,
melhor que ninguém,
que o fiz para ti,
que foste esse tema!...
Que a morte, estou crente,
é só “estar de ausente”,
“partir em missão”!
- Ser “estrela cadente”,
“corpo incandescente”,
que cai de repente
pela escuridão.
Luz intermitente,
presença fluente,
na tua lembrança,
na tua oração...
Vá lá meu amor,
faz-me esse favor,
que aquele que parte,
já sabe à partida
o quanto viveu,
o quanto te deu,
o quanto te amou,
o “homem da vida”,
aquele que eu sou!...
O que ganhou,
O que perdeu,
quanto recebeu,
«quanto te marcou»!...
Que a morte “esfaqueia”,
golpeia, arrebata,
mas porém só mata
quem já se “apagou”...

Vá lá, meu amor,
vou sobreviver,
que a morte não há-de,
“não pode vencer”!
- Não me vais esquecer,
«por isso não chores
se um dia morrer»!...
- Se a morte for fria,
terei a poesia,
p’ra me aquecer!

- Murmura um poema,
murmura um poema,
«que eu volto a viver»!...

(J.A.Afonso)

sábado, 19 de janeiro de 2013




Retrato (de: J.A.Afonso)

Menino vadio,
tão cheio de frio,
tão “enregelado”...
De rosto sombrio,
de rosto fechado...
Que o vento que sopra
é um “vento gelado”!...

Menino que come
a “côdea” da fome
do pão que foi dado...
Menino perdido,
menino esquecido,
do mundo arredado!...
- Que a mãe “bem vestida”...
- Que a mãe “foi à vida”,
que o pai “está pedrado”!...
Menino da rua,
de olhar tão magoado...

Menino malandro,
“menino malícia”,
criança rebelde
que foge ao polícia!...
Menino escondido,
na “sombra” da esquina,
no “beco de astúcia”
d'um olhar traquina...
- Menino da porta,
do supermercado,
que já não se importa
que o “olhem de lado”!
- Menino que ri,
«ri desconfiado»!...
Sem rumo, sem norte,
menino sem sorte,
quem sabe cansado...
- Menino que sonha,
um “sonho roubado”!
Que o sonho vivido,
tão duro e sofrido,
faz parte do “fado”!...
Menino escondido,
de olhar assustado...

Menino da rua,
com os “olhos na lua”,
de “olhar fascinado”...
- Que “cospe no chão”,
que diz “palavrão”,
é “mal-comportado”!
Que não vai à escola,
que vive da “esmola”,
«não foi ensinado»...
- Que o dia é sombrio,
algures num “baldio”,
algures encontrado,
que à noite faz frio,
«um frio danado»!...
- Que já não tem “pranto”,
que dorme “ao recanto”,
além ao relento!
- Que a vida é conforme,
é conforme o vento,
um vento que aos poucos
se torna em “tornado”...
Que vai e empurra
as “águas dum rio”,
um “rio sem leito”,
um rio assombrado!

Menino tão só,
que a vida sem dó
“nem pó” lhe tem dado!...
Menino vadio,
que me faz “ter culpa”,
que te faz “culpado”!...
«Que a fome e o frio,
o trazem tão “esguio”
e tão revoltado»!
- Menino que luta,
“menino-soldado”,
que ainda “recruta”
pois “foi baleado”,
que “partiu p’rá luta”,
que foi “atirado”...
- De mãe prostituta,
de pai viciado!...
Que a vida “refuta”,
que o mundo só “chuta”,
quem é “desgraçado”!
- Que nos faz parar...
«Parar p’ra pensar»...
Pensar “um bocado”.

- Menino dilema,
criança-poema,
«não foste fadado»!
- Que mundo cretino!...
Que pena menino
de “olhar azulado”...

(J.A.Afonso)
Dão-te o sol, dão-te a lua (de: J.A.Afonso)

Eles trazem o “paleio”,
trazem sonhos p'ra vender,
depois de muito “rodeio”
acabam por convencer,
porque quem “anda perdido”,
já não tem nada a perder…

- Dão-te o sol, dão-te a lua,
dão-te muito que escolher…
Quando tu só tens a rua,
tens a rua, p'ra viver!...

Eles falam a “rebate”,
de progresso e ambição,
falam de baixar impostos,
de conter a inflação.
Dão-te a paz como virtude,
“dão-te até compreensão”,
nessa aposta de combate,
à miséria, à podridão.

- Dão-te uns trocos de reforma,
outros tantos de "pensão",
«quando te falta saúde,
quando te faz falta o pão»!...

Eles trazem o “paleio”,
do «agora é que vai ser»,
tudo o que ficou a meio
“pode agora acontecer”...
Trazem pois o “saco cheio”
de sonhos para vender,
porque o povo tem receio,
das “coisas que ouve dizer”.

- Dão-te o sol, dão-te a lua,
dão-te muito que escolher,
quando tu só tens a rua,
rua p'ra sobreviver!...

Eles voltam, bem falantes,
bem vestidos, elegantes,
«sempre e sempre a prometer»!
Ufanos e “confiantes”,
mas como sempre distantes,
do que está a suceder…

- Dão-te o sol, dão-te a lua,
dão-te muito que escolher!…
Mas com muita pena tua,
lá vais vendo encher a rua,
lá vais vendo a rua encher…

- A verdade nua e crua,
é que o “piso” dessa rua,
«já deu sinais de abater»!!!

(José Afonso)



O Poeta (de: J.A.Afonso)

O poeta caminha,
sozinho na multidão,
no tal “vai-vem”...
De manhãzinha,
bem de manhãzinha!
- Há um lado táctico,
que lhe permite ver,
sentir, compreender,
tudo minuciosamente,
microscópicamente!...
O poeta pára!
Pára e repara,
nas coisas pequenas...
Nas aves que voam,
no cântico que entoam,
na cor da penas.
Nas penas...na cor...
- Que há penas coloridas,
como vidas,
concebidas com amor!...
- Que há penas tingidas,
tingidas de dor...

O poeta caminha,
sozinho na multidão,
no tal “vai-vem”...
No início da manhã,
que o poeta mentalmente,
transforma em “amanhã”,
tão certo, tão seguro,
de que amanhã é futuro.
Não provávelmente,
mas seguramente!...
- Há um lado “lunar”,
que sem ninguém saber,
o faz viver,
«lá mais à frente»...
Frequentemente!
O poeta pára,
pára e repara,
nas “coisas sombrias”...
Nas coisas sombrias,
que quer inverter.
Depois de amanhã,
de manhã, de manhãzinha,
o poeta caminha...
As aves não voam,
não entoam,
nenhuma canção.
O poeta triste,
ouve o bater do coração...
O tempo há-de mudar,
há-de voltar a Primavera,
há-de voltar o Verão!
O poeta pára,
pára e repara,
na sua “consciência”...
- Há um lado de “sonho”,
de luta e persistência,
que a poesia é sempre,
sempre “paciência”,
sempre “irreverência”!...
Sonhando ou não,
o poeta tem na mão,
a “resistência”...
A resistência...A revolução!
- De manhãzinha,
o poeta caminha,
no tal “vai-vem”...
Ainda bem!!!
- Caminha sem parar.
Sem nunca parar...
Até ouvir de novo,
as aves cantar!

- De manhã,
de manhãzinha,
o poeta caminha.
As aves em bando,
de vez em quando,
sobrevoam a cidade!
- O poeta medita,
sorri e acredita…
Como sempre acreditou
na LIBERDADE!!!

(J.A.Afonso)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013





Trago a rosa, trago a espada

Trago amor no coração,
trago a “ira” adormecida,
trago palavras na mão
como um “poeta da vida”.

Trago na mente a saudade,
no rosto rugas, sequelas…
Que as “lutas” de cada idade,
nos marcam, deixam mazelas!...

Trago paixões, trago beijos,
«trago sonhos de menino»…
Trago “metas” e desejos,
«trago a crença no divino»!

Trago o “Céu” e o mundano,
trago tudo, e trago nada!...
Trago a condição de humano!
- Trago a rosa, trago a espada!!!

            (J.A.Afonso)

terça-feira, 15 de janeiro de 2013



Deus (de: J.A.Afonso)

Deus?...Deus é amor!
Então tu és Deus,
as tuas carícias,
a tua ternura,
o teu afecto…
São Deus???
Os teus dedos
e os meus, entrelaçados…
São Deus???
A tua pele suave,
os teus cabelos soltos,
os teus lábios sensíveis…
São Deus???

Deus?...Deus é amor!
Então o teu corpo,
no acto de amar…
Então os teus olhos,
“entregues”, fechados,
“na forma de dar”…
São Deus???
Então um abraço,
seguido de um beijo,
um carinho, um desejo…
São Deus???

Deus é amor!...
Então o êxtase,
então o prazer,
então um homem
e uma mulher…
São Deus?
- Eu e tu…
Juntos…
Somos Deus???

Deus?...Deus é amor!!!
E tu? E eu?...
Quem és? Quem sou?...
- Somos só uma “janela”,
uma ínfima parcela…
Da vida que Ele nos deu!
Da força com que Ele amou!!!

(J.A.Afonso)


Momento (de: J.A.Afonso)

Quando um dia partir,
«se pudesse escolher»...
Eu escolheria a noite,
ou talvez a madrugada,
mas uma daquelas horas
em que “não sucede nada”!...

Aos que amo e aos amigos,
gostava de deixar escrito,
aquilo que vocês sabem,
«o que sempre tenho dito»:

Recordando “como eu era”,
«como fui, não quem morreu»,
pensem só no mais bonito
que entre nós aconteceu!...
- Que a vida me foi tão linda
no tanto que ela me deu!

Depois “deixem-me ir”,
deixem-me seguir
por etapas de “outra esfera”,
porque lá tenho também,
«quem me ame, à minha espera»...

(J.A.Afonso)



Só palavras (de: J.A.Afonso)

Eu queria ser,
«queria ser “só palavras”»!...
Que talvez assim
não pudesses “calcular-me”
o tamanho dos sonhos
nem a dimensão dos pesadelos,
que talvez não tivesses
com que “medir-me” os erros,
nem as “coisas acertadas”...
Nem o “bruá” das vitórias,
nem o “silêncio das derrotas”,
nem tantos “pequenos nadas”!...

Queria ser “só palavras”,
"debitadas" por acaso
pelos caminhos da vida,
como o mais comum mortal,
como um qualquer caminhante!...
Sem que pudesses saber,
se me corre mal ou bem,
«se amo ou deixo amar»,
«onde, quando, o quê, ou quem»!...
Que as palavras só por si,
são afinal “coisas ditas”
por todos e por ninguém...

Eu queria ser “só palavras”!...
Ser só o «seu conteúdo»
e não o “dono delas”!...
Porque elas não necessitam
“de ser o homem que eu sou”.
Que p´ra elas não interessa,
se estou "constipado” ou não,
se estou doente ou não estou!
- Eu queria ser “só palavras”...
Literalmente, só assim!...
«Que assim não perdias tempo
a “procurá-las em mim”»!!!

(J.A.Afonso)