quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Escrever é tudo isso (De: J.A.Afonso)

Escrever por vezes é fácil, basta pegar nas palavras e construir frases com nexo, bonitas e agradáveis, por vezes abonatórias e até bajulantes. Escrever para aparecer, para dizer bem e "ficar bem", também é fácil, eficaz e se calhar funciona...Mas escrever, qualquer que seja o tipo ou "forma de escrita", não pode ser apenas um dom, ou uma arte.
- O "acto de escrever" tem de ser mais, tem de ser o utilizar da nossa capacidade de redigir, para "marcar" uma mensagem, para quem sabe "prestar um serviço" ao próximo, à humanidade e ao mundo.
Escrever é um "acto de intervenção", de amor ou desamor, de revolta ou de aplauso, de concórdia ou contestação...Porque escrever é reagir, não divagar! É quase uma "obrigação social" de quem pesquisa, analisa, antevê!...Muitas vezes de quem "denuncia" expondo o peito às "balas", sujeitando-se ás consequências.
- Um Escritor (Poeta ou não), é um "árbitro" isento e rigoroso, no extraordinário desafio que é a vida: «Se algo estiver mal, meus Srs "cartão vermelho"»!
- Um Escritor (Poeta ou não) é um "barómetro da temperatura social", é o "porta voz" das verdades que tem para dizer, é o "alarme" dos mais incautos, dos mais distraídos!...
Um Escritor (Poeta ou não), é um "guia", um combatente da verdade e da justiça, logo também, um dedo apontado à mentira, à demagogia, à tirania. Mas é sobretudo, um "homem atento", um "cidadão alerta"!...
- É aqui que escrever passa a ser difícil, porque quem escreve assume obviamente o que diz. Quem escreve fá-lo em nome de alguém, fá-lo para alguém, fá-lo por alguém ou por alguma coisa: É o "líder" de uma ideia, o "testa de ferro" de um ideal!...
Como alguém disse um dia «escrever é lutar»! E é cada vez mais uma luta perigosa, que pode envolver sérias consequências...Mas cada vez mais inevitável, cada vez mais necessária!
- Um Escritor (Poeta ou não), não é um "bajulador", não pode ser um "yes man" de ninguém, não pode narrar o "bom", ocultando o mau.
- Um Escritor (Poeta ou não), tanto pode ser o "herói" duma revolução, como um "preso político", ou simplesmente um homem normal, com todas as virtudes e defeitos que lhe são inerentes. Apenas isso!
- Tem é de ter sentimentos, sonhos, ideais, convicções e acima de tudo «METAS»!!!
Tem é de «não ter medo»...Que o medo é próprio dos fracos e desses não reza a História!
- Um Escritor (Poeta ou não), tem de ter a "consciência de ser livre", tem de ter o "compromisso" da justiça! Não sei se sou Escritor, não sei se sou poeta...Resta-me apenas saber que sou e serei sempre «um homem de liberdade»!



José A. Afonso

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