O Poeta (de: J.A.Afonso)
O poeta caminha,
sozinho na multidão,
no tal “vai-vem”...
De manhãzinha,
bem de manhãzinha!
- Há um lado táctico,
que lhe permite ver,
sentir, compreender,
tudo minuciosamente,
microscópicamente!...
O poeta pára!
Pára e repara,
nas coisas pequenas...
Nas aves que voam,
no cântico que entoam,
na cor da penas.
Nas penas...na cor...
- Que há penas coloridas,
como vidas,
concebidas com amor!...
- Que há penas tingidas,
tingidas de dor...
O poeta caminha,
sozinho na multidão,
no tal “vai-vem”...
No início da manhã,
que o poeta mentalmente,
transforma em “amanhã”,
tão certo, tão seguro,
de que amanhã é futuro.
Não provávelmente,
mas seguramente!...
- Há um lado “lunar”,
que sem ninguém saber,
o faz viver,
«lá mais à frente»...
Frequentemente!
O poeta pára,
pára e repara,
nas “coisas sombrias”...
Nas coisas sombrias,
que quer inverter.
Depois de amanhã,
de manhã, de manhãzinha,
o poeta caminha...
As aves não voam,
não entoam,
nenhuma canção.
O poeta triste,
ouve o bater do coração...
O tempo há-de mudar,
há-de voltar a Primavera,
há-de voltar o Verão!
O poeta pára,
pára e repara,
na sua “consciência”...
- Há um lado de “sonho”,
de luta e persistência,
que a poesia é sempre,
sempre “paciência”,
sempre “irreverência”!...
Sonhando ou não,
o poeta tem na mão,
a “resistência”...
A resistência...A revolução!
- De manhãzinha,
o poeta caminha,
no tal “vai-vem”...
Ainda bem!!!
- Caminha sem parar.
Sem nunca parar...
Até ouvir de novo,
as aves cantar!
- De manhã,
de manhãzinha,
o poeta caminha.
As aves em bando,
de vez em quando,
sobrevoam a cidade!
- O poeta medita,
sorri e acredita…
Como sempre acreditou
na LIBERDADE!!!
(J.A.Afonso)
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