terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Só palavras (de: J.A.Afonso)

Eu queria ser,
«queria ser “só palavras”»!...
Que talvez assim
não pudesses “calcular-me”
o tamanho dos sonhos
nem a dimensão dos pesadelos,
que talvez não tivesses
com que “medir-me” os erros,
nem as “coisas acertadas”...
Nem o “bruá” das vitórias,
nem o “silêncio das derrotas”,
nem tantos “pequenos nadas”!...

Queria ser “só palavras”,
"debitadas" por acaso
pelos caminhos da vida,
como o mais comum mortal,
como um qualquer caminhante!...
Sem que pudesses saber,
se me corre mal ou bem,
«se amo ou deixo amar»,
«onde, quando, o quê, ou quem»!...
Que as palavras só por si,
são afinal “coisas ditas”
por todos e por ninguém...

Eu queria ser “só palavras”!...
Ser só o «seu conteúdo»
e não o “dono delas”!...
Porque elas não necessitam
“de ser o homem que eu sou”.
Que p´ra elas não interessa,
se estou "constipado” ou não,
se estou doente ou não estou!
- Eu queria ser “só palavras”...
Literalmente, só assim!...
«Que assim não perdias tempo
a “procurá-las em mim”»!!!

(J.A.Afonso)

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