Retrato (de: J.A.Afonso)
Menino vadio,
tão cheio de frio,
tão “enregelado”...
De rosto sombrio,
de rosto fechado...
Que o vento que sopra
é um “vento gelado”!...
Menino que come
a “côdea” da fome
do pão que foi dado...
Menino perdido,
menino esquecido,
do mundo arredado!...
- Que a mãe “bem vestida”...
- Que a mãe “foi à vida”,
que o pai “está pedrado”!...
Menino da rua,
de olhar tão magoado...
Menino malandro,
“menino malícia”,
criança rebelde
que foge ao polícia!...
Menino escondido,
na “sombra” da esquina,
no “beco de astúcia”
d'um olhar traquina...
- Menino da porta,
do supermercado,
que já não se importa
que o “olhem de lado”!
- Menino que ri,
«ri desconfiado»!...
Sem rumo, sem norte,
menino sem sorte,
quem sabe cansado...
- Menino que sonha,
um “sonho roubado”!
Que o sonho vivido,
tão duro e sofrido,
faz parte do “fado”!...
Menino escondido,
de olhar assustado...
Menino da rua,
com os “olhos na lua”,
de “olhar fascinado”...
- Que “cospe no chão”,
que diz “palavrão”,
é “mal-comportado”!
Que não vai à escola,
que vive da “esmola”,
«não foi ensinado»...
- Que o dia é sombrio,
algures num “baldio”,
algures encontrado,
que à noite faz frio,
«um frio danado»!...
- Que já não tem “pranto”,
que dorme “ao recanto”,
além ao relento!
- Que a vida é conforme,
é conforme o vento,
um vento que aos poucos
se torna em “tornado”...
Que vai e empurra
as “águas dum rio”,
um “rio sem leito”,
um rio assombrado!
Menino tão só,
que a vida sem dó
“nem pó” lhe tem dado!...
Menino vadio,
que me faz “ter culpa”,
que te faz “culpado”!...
«Que a fome e o frio,
o trazem tão “esguio”
e tão revoltado»!
- Menino que luta,
“menino-soldado”,
que ainda “recruta”
pois “foi baleado”,
que “partiu p’rá luta”,
que foi “atirado”...
- De mãe prostituta,
de pai viciado!...
Que a vida “refuta”,
que o mundo só “chuta”,
quem é “desgraçado”!
- Que nos faz parar...
«Parar p’ra pensar»...
Pensar “um bocado”.
- Menino dilema,
criança-poema,
«não foste fadado»!
- Que mundo cretino!...
Que pena menino
de “olhar azulado”...
(J.A.Afonso)
Menino vadio,
tão cheio de frio,
tão “enregelado”...
De rosto sombrio,
de rosto fechado...
Que o vento que sopra
é um “vento gelado”!...
Menino que come
a “côdea” da fome
do pão que foi dado...
Menino perdido,
menino esquecido,
do mundo arredado!...
- Que a mãe “bem vestida”...
- Que a mãe “foi à vida”,
que o pai “está pedrado”!...
Menino da rua,
de olhar tão magoado...
Menino malandro,
“menino malícia”,
criança rebelde
que foge ao polícia!...
Menino escondido,
na “sombra” da esquina,
no “beco de astúcia”
d'um olhar traquina...
- Menino da porta,
do supermercado,
que já não se importa
que o “olhem de lado”!
- Menino que ri,
«ri desconfiado»!...
Sem rumo, sem norte,
menino sem sorte,
quem sabe cansado...
- Menino que sonha,
um “sonho roubado”!
Que o sonho vivido,
tão duro e sofrido,
faz parte do “fado”!...
Menino escondido,
de olhar assustado...
Menino da rua,
com os “olhos na lua”,
de “olhar fascinado”...
- Que “cospe no chão”,
que diz “palavrão”,
é “mal-comportado”!
Que não vai à escola,
que vive da “esmola”,
«não foi ensinado»...
- Que o dia é sombrio,
algures num “baldio”,
algures encontrado,
que à noite faz frio,
«um frio danado»!...
- Que já não tem “pranto”,
que dorme “ao recanto”,
além ao relento!
- Que a vida é conforme,
é conforme o vento,
um vento que aos poucos
se torna em “tornado”...
Que vai e empurra
as “águas dum rio”,
um “rio sem leito”,
um rio assombrado!
Menino tão só,
que a vida sem dó
“nem pó” lhe tem dado!...
Menino vadio,
que me faz “ter culpa”,
que te faz “culpado”!...
«Que a fome e o frio,
o trazem tão “esguio”
e tão revoltado»!
- Menino que luta,
“menino-soldado”,
que ainda “recruta”
pois “foi baleado”,
que “partiu p’rá luta”,
que foi “atirado”...
- De mãe prostituta,
de pai viciado!...
Que a vida “refuta”,
que o mundo só “chuta”,
quem é “desgraçado”!
- Que nos faz parar...
«Parar p’ra pensar»...
Pensar “um bocado”.
- Menino dilema,
criança-poema,
«não foste fadado»!
- Que mundo cretino!...
Que pena menino
de “olhar azulado”...
(J.A.Afonso)
Fernanda Cardoso.
ResponderEliminarAh José Afonso cada vez que leio este seu poema me arrepio, emociono, e não consigo trancar a lágrima que teima em cair...É tão belo e ao mesmo tempo tão cruel pela realidade que espelha.. Parabéns amigo.
Continue a encantar-nos com os seus poemas.
Beijinho Amigo !